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BEM SEI
Bem sei que o rio corre, Que assim lhe dita a corrente, E que a prata é informe, Aonde o sol é displicente.
E sei também, Que toda a dignidade morre, Se a carne vem à frente, Da carne que se socorre, Da carne plácida e doente.
Ai, como é fácil escrever, Pôr virtudes em verso, O difícil é viver Com o nosso reverso.
Bem sei... bem sei...
Bem sei, bem sei, Querer é poder: Eis aqui um livro, Que a poucos traz saber.
Por ambição nos perdemos, Por glórias violamos, O que para guerras vivemos, A nós nos justificamos.
Jorge Humberto in Assim As Palavras Livres
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